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Tudo e Nada


Beaujolais, crus e gamay

- Chegou atrasado
- Mas ele falou que ia chegar só às nove
- Você confia numa pessoa que não tem internet em casa?
- Mas eu já falei que não tenho internet porque não fico em casa
- Vou fazer vaquinha pra comprar internet pra vc, 29 por mês, 10 mega
- Mas eu não fico em casa
- Trouxe as taças?
- Aqui, olha aí, tem 12 de degustação, as ISO, as que vc falou. Comprei mais quatro pros convidados
- Ótimo, mas precisar limpar antes
- Precisa?
- As minhas eu trouxe de casa, mas essas aqui vieram de fábrica.Vai que tem pentelho nelas, a boca é de vcs
- Deixa ver
- Imundo
- Olha como tá sujo, vou dar uma passada de água
- Por que vc trouxe outras taças que não as que vc me mandou comprar?
- Pra mostrar que tem diferença quando a gente serve em taças diferentes
- Mas olha o tamanho dessa aqui, parece o santo graal
- É que meu wurst é max, o seu é mini
- Por que essas taças ISO?
- Ajudam a ver os defeitos dos vinhos
- Mas a gente tá aqui pra ver defeito? Mas eu quero beber coisa boa
- Mas eu disse que ajuda a ver defeito, não disse que o vinho é ruim
- Mas pra beber esse vinho a gente tinha de usar outra taça?
- Se comprar um puta vinho e tomar nessa taça, será um crime
- Mas e por que a gente tá na taça errada?
- Sério, me sinto como o professor Girafales no Chaves. Essa é taça pra degustar, é mais técnica, vc demorou semanas pra comprar essas 12, imagina mandar vc comprar uma taça pra cada uva. Vc ia na Bavária comprar 

- Olha lá, chegou o quinto e último convidado
- Finalmente
- Olha o que trouxe para vc ver
- Quê?
- Colaram isso aqui no meu carro e eu lembrei de vc, já que vai se casar
- Que diz o papel?
- Dell Investigação Conjugal, detetive especializado em investigação conjugal. Agende um horário sem compromisso e tire suas dúvidas
- Hahaha
- Tá preocupado?
- Fala sério. E vc?
- Me casei ano passado, não tenho mais dúvidas
- Vamos sentar e começar
- Que são esses vinhos dessa noite?
- São todos crus de Beaujolais, os melhores terroirs da região
- Que é cru? Que é terroir?
- Terroir é complexo de explicar, é tipo o lugar, e cru mostra que esse lugar é ainda mais cobiçado
- Que uva é essa?
- Todos os vinhos são feitos com uva gamay, que é típica da região
- Esse primeiro vinho é o quê?
- Fleurie
- Flê o quê?
- Fleurie, o nome não vem do aroma floral, mas de um legionário romano chamado Florus
- Está escrito aqui nesse papel que vc deu que é um vinho feminino e delicado
- O aroma dele é interessante, é bom esse aqui
- Custa R$ 65
- Sério?
- Esse vinho é ótimo para chamar uma mina, conversar com ela, falar que ela vai tomar um vinho histórico do império romano e que ainda é delicado. Tudo isso por R$ 65. Ela fica louca e não tem muito álcool
- Esse vinho aqui dá pra levar pra praia, né?
- Se vc levar um balde e gelo pra praia, e não se assustar com o olhar das pessoas, pode
- Onde vc compra esse vinho?
- Num soup nazi
- Tem loja? Onde fica?
- Não tem, ele vende pra quem ele quer, no fundo
- E esse segundo vinho?
- Um Morgon do Marcel Lapierre, que morreu ao terminar de fazer essa safra. Esse cara é um dos papas dos vinhos biodinâmicos
- Parece xarope
- Que uva é mesmo?
- Gamay
- Puta, é mesmo. Aquele xarope que minha mãe dava quando eu estava com dor de garganta
- Esse nome Morgon é legal, parece aquele vinho que eu trouxe da última vez, o Silenius, Simone
- Sileni, aquele branco da Nova Zelândia
- Isso, naquela noite do cremé
- Crémant da alsácia
- Olha o aroma desse terceiro
- Moulin à Vent do Gay Coperet
- O cara é gay?
- Fala sério, anta
- Mas está no rótulo Maurice e Catherine Gay. Que é isso?
- Nome s sobrenome
- Olha o aroma desse terceiro, complexo, elegante, tem um traço de sous-bois, que é o que fica sob o solo na floresta
- Que uva é essa mesmo?
- GAMAY
- Belo vinho, hein, quanto custa?
- 65 reais, a metade do segundo e do quarto
- Cacete
- Onde?
- No soup nazi
- Precisamos entrar nesse clube
- Olha o aroma do primeiro, tá defumado agora, parece fósforo queimado
- Tem mesmo
- Mas não posso abrir um vinho desses pra minha mulher, ela odeia coisa defumada. Tava com flora agora tem esse defumado
- Mas isso aqui é um toque leve, esse é um belo vinho, elegante
- Mas agora mudou, olha, com a outra taça muda
e com a temperatura também, sumiu o defumado
- E esse quarto?
- Château de Jacques 2009 do Louis Jadot, o que mais parece que tem madeira no aroma
- Nossa, é mesmo
- Que uva é mesmo?
- Puta que o pariu, GAMAY. Sério, às vezes eu me pergunto como vc conseguiu ser aprovado no Fuvest e passar na São Francisco e ser advogado de empresa grande
- Sou meio disléxico. Mas eu estudei, fui bem, passei
- Por isso mesmo que eu não sei como vc passou
- Bom esse quarto hein
- Esses Moulins à Vent são os Borgonhas dos pobres
- Essa degustação, diferentemente da primeira, só tem vinho bom
- E que vamos comer?
- Se vc tivesse trazido pão, não precisaríamos jantar
- Por que não trouxe pão? Vc fica enchendo o nosso saco, manda a gente comprar tudo, manda vir na hora, faz lista de chamada, mas vc não trouxe o que tinha de trazer
- Como sou o ditador, decreto que a política será apenas água na degustação, sem pão. O circo é o de sempre
- Fala sério. Não se deve confiar em amadores
- Olha quem fala. A culpa é sua
- Minha? Eu não tinha de trazer o pão, eu comprei beliscos, queijo e o gelo
- Mas vc é culpado pq é a única pessoa acima de dez anos que toma só Tody de manhã e fala beliscos em vez de aperitivo
- Tody alimenta
- Tody alimenta e Walking dead dá medo. Vc viu como vc fala?
- Que tem?
- Nem menina de 12 anos fala assim
- Vamos pedir 1 pizza né?
- Uma pizza? Quantos anos vc tem? Tá ainda na época que teu pai te dava cinco reais pra dividir pizza com os amigos?
- Mas uma pizza dá, né? eu vou comer 1 pedaço
- Pede uma brotinho então
- Vamos pedir dessa da esquina, né?
- Vamos de camelo, vai
- Eles só aceitam dinheiro
- Tenho 100 reais aqui
- Uma pizza né?
- Lógico que não, anta. Vão ser duas e vc não vai comer mais que um pedaço, eu vou vigiar. Pq vc sempre fala pra pedir 1 pizza, mas, quando ela vem, vc vira um ogro e come 5 pedaços
- Que sabores?
- Pede calabresa, peperoni
- Ele não come porco
- Por que ele não come porco?
- Porque é judeu
- Eu não sou judeu
- Pede peperoni e outra de quatro queijos
- Quatro queijos é coisa de mulher
- Mas eu gosto
- Porque vc é quase uma
- Vou pedir
- Qual vinho vai com essas pizzas?
- Um pouco desse último
- Que uva é mesmo?
- G A M A Y



Escrito por Roberto Rockmann às 09h30
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Séries

Desde a primeira temporada, "24 Horas" e Jack Bauer me viciaram, mas só no final da terceira temporada que a série se tornou um paradigma para mim entre todos os seriados. Foi ali que nos últimos minutos da vigésima quarta hora, numa escola pública, Jack fica com a espada de dâmocles e tem de decidir entre usar uma machadinha para decepar o braço do parceiro Chase, namorado de Kim Bauer.

São instantes tensos. Nunca se espera que ele tome a decisão radical. Espera-se a redenção quando o relógio vai chegando ao zero, mas os produtores e roteiristas não fizeram concessões. Jack decepa o braço de Chase. A linha entre meninos e homens foi superada, e o seriado ganhou meu respeito eterno.

Depois de uma primeira metade de segunda temporada meia boca, arrastada e chata com a procura da menina Sofia, "Walking Dead" passou a linha divisória no penúltimo episódio da série, que foi ao ar ontem aqui pela Fox. A morte de Shane por Rick coloca o seriado em uma trilha parecida com as HQs. A tevê americana irá divulgar apenas 1 teaser do final da temporada, cujos últimos 4 episódios são excelentes.

Mantido o atual ritmo, Rick poderá se ver sozinho e em meio a um novo grupo de pessoas em breve. Os walkers irão aumentar em número e colocarão os Estados Unidos em um cenário ainda mais apocalíptico.



Escrito por Roberto Rockmann às 08h34
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O Artista

Numa era em que se faz tudo na palma da mão, inclusive a escolha pela rede social de quem vai se sentar ao seu lado num voo, um filme como "o Artista" é algo diferenciado e ousado. Uma homenagem ao início de Hollywood e ao cinema mudo, o longa, que dura pouco mais de uma hora e meia, tem sua primeira fala no último minuto de duração.

Numa era em que Nova York é destruída a cada mês, aliens vêm do espaço e o Spielberg fica cada vez mais acomodado com histórias piegas, ver o público ficar com a respiração presa no final de "O Artista" em uma gag visual antiquíssima, sem nenhum recurso de efeito especial, é ver que a simplicidade cinematográfica pode ganhar da parafernália tecnológica.

Simples, com bons atores, o filme levou ontem os principais prêmios da academia. Para mim, um bom filme ("Crepúsculo dos deuses, que tem temática semelhante, é um filmaço e não envelheceu nada), ousado e diferente, mas nada muito acima da média, ficando na linha dos últimos prêmios. "Discurso do Rei" tem grandes atores, um roteiro interessante, mas nada mais que isso. "Avatar" fez mnuito barulho, é bom, mas já está deixado de lado.

Fico pensando se "O Artista" não vai ser uma repetição de "Entre dois amores", um filme dos anos 80, que levou sete estatuetas, mas hoje é sempre mais lembrado pelos prêmios que pelo filme propriamente dito.



Escrito por Roberto Rockmann às 09h12
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Goonies, Conta Comigo e Alien

"Super 8" é uma combinação de "Goonies" com "Conta Comigo" no século XXI. Lançado no segundo semestre do ano passado nos Estados Unidos e no Brasil, o filme de JJ Abrams, que assinou a série "Lost" e os filmes "Missão Impossível" e "Star Trek", tem um toque de nostalgia para quem nasceu vendo sessões de tarde inteligentes, em que os olhos não desgrudavam da tela.

Um grupo de meninos passa o tempo em uma minúscula cidade americana usando uma câmera super 8 e rodando filmes de vampiros e zumbis. Um dia, numa gravação à noite, na estação de trem, eles filmam e se deparam com um grande acidente de trem em que uma força sobrenatural parece ter se libertado do comboio de vagões. Coisas estranhas começam a aparecer.

Em pouco mais de uma hora e meia, Abrams traz de volta o clima dos anos 80 nos dias de hoje em uma trama cheia de um clima nostálgico, da época em que o Spielberg, produtor executivo aqui, fazia coisa boa, o que ele não faz desde 1998. Um filme digno daquelas sessões da tarde em que se podia escolher entre "Clube dos Cinco", "Curtindo a Vida Adoidado", "ET", "Goonies" ou "Caçadores da Arca Perdida".



Escrito por Roberto Rockmann às 10h46
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Entre vinhos

Nesses últimos tempos, tenho sido premiado com uma profusão de garrafas, muitas anos luz acima da média, outras abaixo da crítica. Numa degustação de espumantes, a Cava Rerserva Juvé & Camps (Peninsula) deu vexame. Bebida de novo uma semana depois, uma nova decepção, me deixando claro que não há custo benefício no mundo das borbulhas entre R$ 80 a R$ 160. Ou você vai atrás da Ruggeri (Grand Cru) ou vai atrás do crémant do Albert Mann (Cellar) ou então na Chandon, ambos na faixa dos R$ 50 a R$ 60, ou então abra o bolso e vai de Champagne, de preferência Larmandier Bernier (Cellar). Nessa faixa entre R4 80 e R$ 160 há dezenas de opções, mas as boas mesmos custam o preço de uma champagne e aí não tem comparação.

Num almoço há algumas semanas, bebi o Soave Classico 2009 do Pieropan (Decanter). Para mim, Pieropan e Jermann (Cellar) são os caras dos vinhos brancos da Itália. Fazem vinhos pouco conhecidos com ótimos preços e não erram. Esse Soave, que custa R$ 80, tem longa vida pela frente e é difícil se achar comparação nessa faixa de preço. Em comparação com o chardonnay Quebrada Seca da De Martino (Decanter), um vinho interessante, mas caro pelo que oferece em comparação com o velho mundo, ele deu um show.

A safra 2009 na Borgonha é considerada bastante acima da média. Há uma briga: tem gente que diz que é enorme, tem gente acha que é muito boa. Não tenho a capacidade de julgamento de Clive Coates, de Bettane, nem de Amauri de Faria para julgar, mas posso dizer que é uma safra para se comprar de caixa os vinhos básicos. Em uma degustação em três jantares em casa, abri os borgonhas básicos de Drouhin (Mistral), Pierre Labet (Decanter), Rossignol Trapet (Cellar), AF Gros (Cellar) e Camille Giroud (Vinci). Ambos na faixa dos R$ 90, Anne Françoise Gros e Rossignol Trapet ganharam disparados. Um é um Borgonha com toques florais, elegante, com traços de Vosne, tal como a procedência da família, vinho para se comprar de caixa. Já o de Rossignol Trapet tem toques minerais que impressionam num vinho desse nível e desse preço - é vinho sério, de comprar de duas caixas para cima e totalmente fora do radar dos guias.

A Itália tem agora uma importadora que é preciso conhecer: chama-se Mercovino, nascida dem Ribeirão preto, e com consultoria de Jorge Lucki na seleção dos rótulos. Na faixa dos R$ 60 a R$ 90, eu agora estou fissurado em dois produtores piemonteses: Cascina ballarin e Piero Busso. O primeiro produz um belo corte de Barbera e Nebbiolo, o Langhe Cino, de se comprar de caixa. Produz um dolcetto de R$ 65, que desbanca muita gente famosa. Piero Busso é capítulo à parte: o dolcetto majano de R$ 85 e o barbera Majano de R$ 95 são vinhos de se comprar de caixa. O barbera devia ser vendido em garrafas magnum.

Dia desses, abri um barolo 1999 da Rocche dei Manzoni, o Vigna Capella di Santo Stefano (Interfood). Treze anos de idade e ainda primário, treze anos de idade e ainda com uma acidez e taninos de adolescente. Na metade da década, talvez se abra mais, impressionante a capacidade de envelhecimento desse rótulo, que vem de Monforte d´Alba.

Voltando à Borgonha, duas garrafas bebidas recentemente mostram que são de exceção. Primeiro, o Chablis Les Clos 2009, do William Fèvre, um infanticídeo cometido por um amigo na última sexta-feira. A  mineralidade de um terroir de exceção se une a um floral elegante, fino, diferenciado, tudo em em um conjunto deslumbrante. Um chardonnay tão grande que só tem rivais na Côte de Beaune. Brilhante. E, para comemorar o aniversário da Tuka, abri há algumas semanas o Richebourg 2001, de AF Gros, um terrori vizinho ao do Romanée Conti. Na boca, ele é um belo vinho, mas nos aromas ele é enorme, indo de alcaçuz a carne, passando pelos mais finos e elegantes toques florais. Ainda com longa vida pela frente. Não é um Clos de Tart 2005 ou um Musigny 2010 do Mugnier, mas é um grande vinho.



Escrito por Roberto Rockmann às 11h15
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Hoover, de Clint Eastwood

Em uma entrevista à TV americana, Quentin Tarantino disse que há uma fórmula perversa no cinema: quanto mais se envelhece, menos se filma, pior se dirige. O ápice da carreira de um cineasta então estaria no meio do caminho, aos 40 ou 50 anos. A regra pode valer para alguns grandes nomes do cinema, mas não cabe para Clint Eastwood, que desde a metade da década de 1980 tem melhorado e acertado mais a mão.

Nesses últimos dez anos, melhor período de Clint como diretor, saíram algumas das melhores coisas de Hollywood: de "Grand Torino" ao último lançamento, que retrata a vida de John Edgar Hoover, o todo poderoso, que criou a ciência de criminologia moderna, construiu o FBI, sobreviveu a oito presidentes americanos e conservou um arquivo confidencial em que manipulou vontades e ambições.

A vida de Hoover é um retrato da América por 50 anos. Da luta contra os comunistas à Guerra Fria, passando pela luta dos direitos civis, Hoover antecipou os falcões da era Bush. Talvez seja essa a razão de Clint tê-lo escolhido como projeto. "J. Edgar" não é o melhor filme do diretor, mas é mais uma prova de que Clint é um dos melhores diretores da atualidade. Denso, complexo e leve, o filme vale o ingresso, ainda mais pela atuação de Leonardo di Caprio, que é, seguramente, o melhor ator de sua geração, cada vez melhor. Armmie Hammer, que faz Clyde Tolson, que seria o amante de hoover, também dá um show de atuação. Ambos deveriam estar no oscar.

A idade tem dado cada vez mais leveza ao trabalho de Clint. Há duas cenas ímpares no filme. A primeira, logo no início do filme, retrata o jovem Hoover chegando à casa. O pai, na varanda, com um olhar de louco, parecendo demente, o chamando de "Jeremy". Ao entrar na casa, a mãe, superprotetora, o chama de "Edgar" e logo diz que espera que ele não caia na insanidade. A segunda está no fim do filme, quando Tolson vai ao quarto de Hoover e o vê morto. Tendo passado décadas juntos e afastados ao mesmo tempo, para manter as aparências, ele descobre a única folha do arquivo confidencial mantido por Hoover, um trecho de uma carta de amor de uma amante a uma primeira dama. Uma declaração de amor, apropriada de terceiros, a um homem que fez parte de uma tumultudade e intricada vida. 



Escrito por Roberto Rockmann às 19h44
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Eastbound & Down

"Eastbound & Down" retrata a vida de Kenny Rogers, um jogador de beisebol mal humorado, drogado, que vive atrás de mulheres, que, depois de um tempo entre os melhores da Liga, vive uma série de problemas e tem de voltar à antiga cidade natal. Vai morar com seu irmão, sua cunhada e seus dois sobrinhos e pega o trabalho de professor de educação física da escola local.

Rogers é interpretado por Danny Macbride, um ator que fez papel coadjuvante em várias comédias nos últimos anos.

A série vai começar a ter sua terceira temporada transmitida nos EUA em breve. No Brasil, a HBO deve começar a passar a primeira temporada. Assisti a quatro episódios da primeira temporada. Vale a pena. Fazia tempo que não havia uma série de comédia assim.



Escrito por Roberto Rockmann às 08h49
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Seinfeld e soup nazi no super bowl

http://www.youtube.com/watch?v=hmLCmvZuBpc



Escrito por Roberto Rockmann às 19h59
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Simone - sobre cavas, proseccos, Nova Zelândia e cremé

- Aberta a confraria
- Saúde
- Saúde
- Que é isso?
- Um prosecco, uva glera, Itália.
- Não é champagne?
- Não, champagne só quando feito na região de Reims. No resto, espumante.
- Nossa, isso aqui é uma bosta.
- Cheira vômito.
- E olha que esse vinho é o mais caro do painel, custa quase 100 reais, importado pela Expand.
- Não tive tempo de comprar sua lista, vi que o sobrenome que vc tinha sugerido que eu comprasse era o mesmo desse aqui.
- No Piemonte, tem seis Conternos, mas só dois fazem vinhos direitos.
- Mas isso aqui é um lixo.
- Um exemplo de como não fazer espumante. Não tem nada.
- Expand é uma merda.
- Abre a segunda garrafa.
- Que vamos beber agora?
- Uma coisa nova: um espumante feito na Nova Zelândia.
- Nova Zelândia? Pensei que tivesse só coala lá.
- Austrália é a terra do coala.
- Nova Zelândia não tem?
- Tem elfo.
- Abriu?
- Abri, nossa, outra história. Olha o aroma.
- Nossa, aqui tem um mel hein, nossa, aquele outro vinho era um lixo. Como chamava mesmo? Que uva era?
- Prosecco, glera. É a décima vez que vc pergunta.
- Esqueci.
- Esse aqui é bom hein. Olha que legal: a vinícola é Sileni, vem do latin Silenius, que é amizade.
- Bom nome de confraria hein.
- Eu ainda acho que confraria meia boca faz mais sentido.
- Abre a próxima garrafa.
- Não tenho taça para todo mundo, tem de ser na de cerveja agora.
- Eu trouxe quatro taças.
- mas precisava de mais.
- Então vc vai ficar com as de cerveja.
- E essa aqui?
- É um crémant, feito na região da Alsácia, perto da Alemanha, que tem uma complexidade maior que os outros dois.
- Esse aqui é elegante, iria bem com um camarão.
- Gostei desse aqui. O primeiro não dá pra beber, o segundo cansa um pouco, esse aqui é bom.
- Como essas bolinhas?
- perlage.
- Esse aqui é o campeão.
- Gostei desse cremé.
- Não é cremé. É crémant.
- E agora?
- Vamos à cava, que tem, teoricamente, maior complexidade que os outros, porque fica  mais tempo com as leveduras e tem envelhecimento maior, quase perto de um Champagne.
- Mas é isso aqui?
- Nossa, maior cheiro de fralda de nenê.
- mas você estuda, lê e traz isso aqui? Mas isso aqui é imbebível.
- Não acho, acho que está boa, tem uma acidez muito evidente, ainda está nova, mas está num patamar inferior à do cremant.
- O cremé e o da Nova Zelândia são muito melhores. E o vômito é o último colocado.
- Que porcaria essa aqui.
- E agora?
- Tem essa Chandon aqui.
- Muito boa.
- Gostosa.
- Diferente.
- Porra, sei que vc teve bom coração, mas olha o quanto de água você trouxe.
- Que tem?
- Isso aqui a gente tem de beber ,em copinho de plástico de café tal a quantidade.
- Vai pegar lá, vai.
- Que a gente bebeu hoje? Um cremé, um glera e um silenius?
- Um prosecco, um espumante da Nova Zelândia, um crémant, uma cava e um brasileiro.
- Bom esse Simone.
- Não é Simone, mula. É Sileni, de Hawke´s Bay. Nova Zelândia é terra de sauvignon blanc, mas esse aqui é chardonnay.
- E olha que eu não gostava de Chardonay, achava uma bosta.
- Porque toma só porcaria.
- E o que a gente vai comer?
- Você não tem pão?
- Não.
- Como não? Vc toma café da manhã com quê? Vento?
- Tomo tody.
- Quantos anos vc tem? Dez?
- Vai se ferrar, vai na padaria.
- A gente precisa arrumar uma estrutura legal da próxima vez.
- Você precisa ter um papel  mais ativo nisso, trazer umas fichas, falar o que a gente está bebendo.
- Não queria fazer isso, fica uma ditadura, aí vcs poderiam reclamar.
- mas vc precisa impor, precisa ser ditador, nós somos tudo ignorantes. Nem podemos tomar o poder porque nem sabemos o que queremos. Aí com a ditadura nós aprendemos e um dia com o esclarecimento a gente pode te destituir.

*  *  *

- E a confraria como foi? Boa? Muito Montrachet, muito Borgonha, muito barolo?
- Não, coisa leve, uma cava, um prosecco, uma simone, um cremé...
- Quê? Cremê? Simone? Foi confraria ou putaria?
- Longa história.
- Mas e a ideia de perfeição na confraria?
- Gostaria de beber Chambertins 1990 ou Barolos de 1989, mas prefiro beber com quem faz parte da minha vida.



Escrito por Roberto Rockmann às 18h41
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Provocações

Em um jantar dia desses, um leitor desse blog, espanhol e merengue (torcedor do Real Madrid), amigo de sinuca de Ricardo Darín, me disse que a lista dos melhores livros que eu já tinha lido e publicado um dia aqui era muito fraca e muito voltada ao Brasil. Não lembro de cor, tentei encontrá-la mas não achei, mas a memória me indica que estão ali "Memórias Póstumas", "Evangelho Segundo Jesus Cristo", "Cem anos de solidão", "Apanhador no Campo de Centeio", imagino que haja também Carlos Heitor Cony em "Pilatos", que haja George Orwell em "1984".

Imagino que deva ter outros brasileiros, como Lima Barreto e talvez mais um Machado ou Euclides da Cunha, e imagino que Miguel Sousa Tavares já deve ter entrado, ou com "Rio das Flores" ou com "Equador". "Anna Karenina", de Tolstoi, lido ano passado, também teria de estar, mas acho que não constava da anterior.

Perguntou se eu não tinha lido os franceses. Cheguei à página 150 de Stendhal, mas, quando Julien Sorel mudou de cidade para estudar, abandonei. Li alguns livros de Camus, mas fico apenas com "Estrangeiro". Li Ionesco e seu "Rinoceronte", li Becket esperar Godot, mas prefiro Guy de Maupassant com seu "Bel Ami", mas confesso minha ignorância em relação a Balzac. Perguntou também se eu tinha lido "Belle du seigneur", de Albert Cohen. Não li, aliás, devo confessar que nunca tinha ouvido falar do autor, nem da obra.

Confesso maior ignorância ainda em relação a autores espanhois e de língua espanhola. Da Espanha, não li nenhum. Da língua espanhola, apenas conheço Gabriel Garcia Marquez e Juan Rulfo.Os russos são animais estranhos para mim também: só li Tolstoi, que tanto em "Anna Karienina", quanto em "Morte de Ivan Ilitich" é soberbo, mas faltaria ler "Guerra e Paz", faltaria ler Dostoieviski e cia.

Nos Estados Unidos e na Inglaterra, também não li nada de Philip Roth, nada de Twain, nada de Faulkner, passei ileso por Dickens.

Como gosto de provocações, uma das minhas resoluções desse ano será reduzir apenas um pouco minha ignorância.Vou comprar "Belle du seigneur", vou ler "Père Goriot", do Balzac e vou tentar conhecer mais gente que deveria conhecer, mas não conheço.



Escrito por Roberto Rockmann às 10h00
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Lisbeth Salander em versão Hollywood

A diferença entre a versão de Hollywood de "Os Homens que não amavam as mulheres" e a sueca está logo no primeiro minuto do filme, que estreou ontem no circuito comercial: aparece a cara de Daniel Craig, o James Bond que faz as vezes agora de Mika Blomkvist, e logo entra um clipe com cenas de ação e música. Mas aqui Craig e seu personagem são coadjuvantes de Rooney Mara e de Lisbeth Salander.

A trilogia sueca, que é fidelíssima ao livro e conta com bons atores, é seca como a paisagem da Suécia. Hollywood acrescentou cores, melhorou as cenas, criou piadas e fez várias referências aos que leram os livros. Quando se vê o trabalho de David Fincher, se ri do jeito Lisbeth de ser, de ser antisocial. Lisbeth parece que foi criada como a gente queria. Os americanos são mestres nisso.

Lisbeth Salander nasceu imortal das páginas de Stieg Larson. Antissocial, vítima da síndrome de Asperger, hacker brilhante, bissexual, dona de memória fotográfica, inteligência acima da média, uma longa e dolorosa vida, Salander rouba a cena em uma atuação muito boa de Rooney Mara. As duas horas e vinte minutos de filme passam voando num trilher bem feito pelas mãos de David Fincher.

Ao contrário dos filmes suecos, esse aqui faz mudanças no roteiro: no final, na cama com Mika, Lisbeth diz que é mantida sob proteção do Estado por, aos 12 anos, ter queimado seu pai, revelação que chega às páginas dos livros ao jornalista apenas na metade do segundo livro.

Não acho que a Suécia só sabe fazer geladeira e celular. Gostei dos filmes suecos, mas Hollywood acelerou a trama e tornou a imortal Salander de pele e osso, como a gente imaginava. Vou ter de, finalmente, abrir o terceiro livro da série e ver como a aventura de Mika e Salander termina, mas com a triste sensação de que a série criada por Larsson é finita. É a vida.



Escrito por Roberto Rockmann às 11h05
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Monty Phython de volta?

http://www.huffingtonpost.com/2012/01/26/monty-python-reunion_n_1235000.html

 



Escrito por Roberto Rockmann às 08h31
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Uma pílula

Há filmes com uma ideia bem sacada que poderiam transcender e se tornar uma espécie de "A Origem", mas sucumbem, seja por um roteiro falho, seja por uma direção meia boca. Esse é o caso de "Sem Limite", suspense de ação que estreou nos Estados Unidos no ano passado. Nas mãos de um Frank Darabont (que fez o roteiro de "Um Sonho Liberdade" e trabalhou no início da série "Walking Dead" ou de um Christopher Nolan (que mudou o mundo da ação com "Batman" e "A Origem"), esse filme poderia ser um clássico e um filme bem acima da média.

Eddie Morra é um roteirista fracassado que vive com o aluguel atrasado, sem dinheiro no bolso e numa quitinete meia boca em Chinatown. Tudo muda quando ele reencontra seu ex-cunhado, que diz que está fazendo testes com uma nova droga, que ainda não foi aprovada, mas que tem potencial para mudar tudo. A pílula acelera a sinapse cerebral e permite que o cérebro funcione a 100% de sua capacidade, abrindo um novo horizonte.

Eddie vira um expert em vender e comprar ações, mas aí as coisas dão errado, quando um magnata, gângsteres russos e vários mistérios começam a surgir no pedaço. O filme é fraco, mas nas mãos de gente boa teria o mesmo potencial da NZT.



Escrito por Roberto Rockmann às 10h43
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As redes sociais

Eu me considerava um sujeito razoavelmente bem informado. Mas, durante essa semana, eu vi minha tamanha ignorância, quando me vi perguntando a torto e a direito quem diabos era Michel Teló, quem era a Luiza, o que eram as mulheres ricas, que estupro era esse que tinha passado na televisão.

Me falaram sobre Teló e sua música. Ouvi uma vez no Globo Esporte da virada do ano. Não ficou no meu cérebro. Não entendi como pode ter atravessado os oceanos e ter virado um hit. Sério mesmo. Não entendo, não compreendo nem como ela se aloja no cérebro, porque escutei algumas vezes ela na coluna de José Simão na Band News e nada. Nenhum efeito retardado.

"Mulheres ricas" é um programa da Band. Mulheres bizarras no fundo que sofrem de LER por apertar o botão da máquina do cartão de crédito. A definição não é minha, mas do José Simão.

A penúltima ignorância minha se deu com a Luiza. Eu não frequento o Facebook com assiduidade, entro 1 vez ou outra, mas vi várias mensagens sobre a Luiza e o Canadá. Várias "piadas", todas na mesma toada, iguais, mas escritas por dezenas de mãos diferentes, de cidades diferentes, de estados diferentes, de classes diferentes. Resultado? Luiza chegou à TV Globo, à Folha, e voltou do Canadá. Uma propaganda mal feita com um texto fraco se tornou um sucesso porque alguém usou um bordão grosseiro da Luiza. Por quê?

Porque na rede social vale ficar antenado antes do outro. Vale ser "enturmado". Mesmo que estar atualizado seja para saber que a Luiza não foi porque esteve no Canadá, enquanto seu pai vende apartamentos de uma construtora paraibana.

Luiza não é filha única. Meses atrás, mais precisamente em maio, no facebook, no you tube, nos e-mails, um clip de uma banda era constante: Oração, tocada e cantada pela Banda Mais Bonita da Cidade. Tornou-se um hit. Era contagiante para uns. Era tão boa que hoje a banda e a música devem ter deixado o dial.

Às vezes me pergunto o que eu aprendo numa rede social. Semana passada descobri que existe um free shop entre Brasil, Argentina e Paraguai e que poderia comprar uísque e vinho se quisesse, só fazer o pedido. Ah,sim, quero fazer contribuição de graça para o governo federal, que está querendo criar ponto digital em todas as empresas, para que todos os funcionários possam dizer que horas entram e saem. É só dar um smartphone. Tem gente que todo o santo dia usa o foursquare pra dizer que hora chega e que horas vai embora.

Fosse eu bandido usava essas informações pro mal. Como não sou, fiquei pensando que não sou dessa turma dos antenados. Prefiro ser a dos velhos. Queria mesmo era reunir uma boa turma de amigos sérios e fazer uma confraria de bebidas, que se reunisse 1 vez por mês, e a cada encontro a gente conversasse e ficasse analisando uma bebida diferente, uma região diferente, política, futebol, livros...

A vida é curta. Prefiro ficar sem saber quem será a próxima Luiza ou o próximo Michel Teló. Vírus por vírus, o da gripe tem suas vantagens.



Escrito por Roberto Rockmann às 18h23
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O cheiro da guerra

Em 1969, aos 23 anos, Karl Malantes caiu de para quedas na selva vietnamita. Inexperiente segundo tenente de um esquadrão de marines, ele aprendeu in loco o que era a guerra. Ali tirou a primeira vida humana com suas mãos, se sentiu um heroi à la Rambo em outra ocasião, perdeu amigos, viu a sorte sendo lançada a cada arremesso de granada. Na volta, sentiu a indiferença e os pesadelos que assombravam seus sonhos.

Por décadas, reuniu histórias em um caderno. "Matterhorn", sua estreia na ficção, lançado em 2010 e resenhado aqui no início do ano passado, ganhou vários prêmios literários nos EStados Unidos. A combinação de ficção com realidade traz ao leitor o cheiro da guerra.

Escreveu-se aqui que era para se guardar o nome de Karl Malantes. Pois ele, no fim do ano passado, fez mais uma: "What is like to go to war", um curto livro de pouco mais de 150 páginas, em que relata como é estar numa guerra. Com base em seus casos pessoais, euma bruta honestidade, ainda misturado a Jung, Yeats, budismo, Malantes escreveu um livraço. Desses que se lê em poucas horas.

Há ali episódios espetaculares que, ao terminar o livro, me fizeram pensar que, se vivo fosse, Stanley Kubrick teria ficado possesso. "Nascido para Matar", cuja primeira metade, comandada por Gomer Pyler, é um clássico perfeito, ficaria ainda melhor, se baseado no livro de Malantes, que vai do treinamento até as missões mais espinhosas.

Malantes sofreu na pele o treinamento dos marines. Um dia, à noite, deu um tapa em seu rosto para matar um mosquito. O tapa alertou o tenente. Malantes foi posto de cuecas no meio de um pântano segurando um rifle, sem poder se mexer. Em segundos, seu corpo foi infestado de mosquitos. Sentia o sangue sair dos seus braços, rostos, pernas, como se os pernilongos fossem sanguessugas. A cada cinco minutos, o tenente via se ele estava bem. Malantes nada respondia. Uma hora depois, o tenente falou: "Seu idiota, por que está no meio do pântano de cuecas? Vá se vestir". Era o batismo de um marine, que hoje ao se relembrar do episódio é honesto. "Não se pode fazer diferente. A guerra é a sombra que Jung dizia. Deslizes não podem ser cometidos". Essa é uma história, reduzida e estragada aqui em curtos parágrafos, mas há outras melhores, muito melhores.

Os episódios são ricos em detalhes, descritos de uma forma que se sente no front. É possível sentir o cheiro dos corpos, o medo no ar, a sensação de impotência misturada a um prazer de vencer e sobreviver, tudo envolto em uma brutal honestidade, que faz a gente pensar que um veterano não é um louco; o problema é o coração da escuridão, o horror, o homem, que é seu próprio lobo.

Um dos meus fiéis leitores, guia de Nova York e amante de Kubrick, o Lucas, deve comprar esse livro.



Escrito por Roberto Rockmann às 18h21
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